Um soneto do Logos e uma crítica literária da Palavra no tempo do Verbo.

 

O cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo
Não só esta no altar mas ele é o próprio altar
É o mistério do inefável, como ele tira os pecados
Sempre no presente atualizado, o acontecimento

Não está só no tempo passado do verbo, está a tirar agora
Pois Ele é o Senhor do tempo, o tempo está nele, não o contrário
Portanto, no tempo se fez Caminho para que o adoremos
Como aquele que se fez homem para nos conduzir a Deus

Fascinados pela Palavra, apaixonados pelo Verbo
Arrebatados pelo Logos, se podemos amar a Deus
É porque Ele se fez ponte onde só havia um abismo

É porque Ele se fez Altar, Sacerdote e a Perfeita Vítima
A velha aliança foi consumada para que a Nova seja Eterna
Humana, irrevogável, inalienável, que seja justa, boa e verdadeira

Essa oração é uma profunda meditação teológica que explora a natureza de Jesus Cristo, a Eucaristia e a Nova Aliança. Ela se aprofunda na ideia de que Cristo transcende o tempo e o espaço, sendo a ponte essencial entre Deus e a humanidade. Vamos decifrar os principais pontos:


O Cordeiro e o Altar: Presença Atualizada

A oração começa com a figura central do "Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo", uma clara referência a Jesus Cristo, cujo sacrifício é a base da redenção cristã. O texto imediatamente expande essa imagem ao afirmar que Ele "não só está no altar mas ele é o próprio altar". Essa é uma ideia poderosa, especialmente ligada à teologia da Eucaristia, onde Cristo não é apenas o objeto do sacrifício, mas o próprio lugar onde o sacrifício acontece. Ele é a oferta e o meio da oferta.

A menção ao "mistério do inefável" e como Ele tira os pecados "sempre no presente atualizado, o acontecimento" ressalta que o sacrifício de Cristo não é um evento meramente histórico. Ele é um acontecimento que se torna presente e atuante em cada momento, transcendendo as barreiras do tempo.


Senhor do Tempo: Eternidade e Caminho

A oração aprofunda essa ideia ao afirmar que Jesus "não está só no tempo passado do verbo, está a tirar agora". Isso reforça a natureza eterna de Cristo. Ele "é o Senhor do tempo, o tempo está nele, não o contrário". Essa inversão da relação entre tempo e divindade é crucial: não é Cristo que está sujeito ao tempo, mas o tempo que existe dentro d'Ele.

Portanto, "no tempo se fez Caminho para que o adoremos como aquele que se fez homem para nos conduzir a Deus". A encarnação de Cristo é apresentada como a manifestação de Sua senhoria sobre o tempo, tornando-se acessível e compreensível para a humanidade, abrindo um caminho direto para a divindade.


Ponte e Nova Aliança: O Amor de Deus

A oração retoma a tríade inicial de "Fascinados pela Palavra, apaixonados pelo Verbo, Arrebatados pelo Logos", aplicando-a diretamente à compreensão de Deus através de Cristo. Se podemos amar a Deus, é "porque Ele se fez ponte onde só havia um abismo". Essa metáfora da ponte é central para a soteriologia cristã, representando a superação da separação entre Deus e a humanidade, causada pelo pecado.

A conclusão é que Cristo se fez "Altar, Sacerdote e a Perfeita Vítima", encapsulando todas as funções litúrgicas e sacrificiais. Ele é quem oferece, o lugar da oferta e a própria oferta. Isso levou à consumação da "velha aliança" e ao estabelecimento de uma "Nova [aliança] seja Eterna, Humana, irrevogável, inalienável, que seja justa, boa e verdadeira". Essa Nova Aliança é apresentada como definitiva e perfeita, selada pelo sacrifício de Cristo, garantindo uma relação de amor e verdade entre Deus e a humanidade.


A oração é, portanto, uma contemplação poética e teológica sobre a centralidade de Jesus Cristo como a revelação plena de Deus, o mediador entre o divino e o humano, e o fundamento de uma aliança eterna baseada no amor e na verdade. É um convite à adoração e ao reconhecimento da Sua presença constante e transformadora.


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