Uma sátira sobre uma querela antiga há muito superada mas nunca vencida.
Caros amigos do pensamento, vocês pediram uma sátira sobre a nefasta influência do nominalismo, e eu não poderia estar mais aliviado por ter a oportunidade de desabafar. Afinal, falar em "influência nefasta" pressupõe que a ideia de "mal" ou "nefasta" não é apenas um som que eu estou fazendo com a boca. E aí começa o problema.
Em um mundo onde o nominalismo venceu de vez, a filosofia se torna o clube do "quase". Não existe "Humanidade", apenas um bando de bichos bípedes chatos que, por um motivo bizarro, insistem em se chamar de "humanos". A "Justiça"? Ah, isso não passa de um ruído que fazemos quando queremos que os outros concordem com o nosso jeitinho de fazer as coisas.
O nominalismo é o grande vilão por ter transformado a realidade em um universo de solteiros inconciliáveis. Um gato não tem nada em comum com outro gato, a não ser a nossa preguiça de inventar um nome para cada um. Uma cadeira é só uma coleção de átomos em uma configuração temporária, e o conceito de "mobília" é o nome que damos à nossa incapacidade de descrever cada objeto individualmente.
Pior que isso, o nominalismo é uma tragédia para a própria crítica. Se eu digo que o nominalismo é uma "filosofia pobre", um nominalista me responderá: "Pobre? O que é 'pobreza'? É só um som que você faz. A filosofia está 'pobre' apenas porque você, arbitrariamente, decidiu que ela não se encaixa nos seus critérios de 'riqueza' filosófica." E aí, como você discute com uma parede de sons?
Por isso, aplaudimos o esforço de Platão e dos três mosqueteiros. O realismo de Platão, que nos deu um mundo de Ideias perfeitas para guiar a nossa miséria terrestre, e o realismo moderado de Duns Scotus e São Tomás de Aquino, que defendiam que as coisas têm uma essência compartilhada, foram os grandes heróis de uma luta silenciosa. Eles lutaram por um mundo onde a beleza da "rosa" não é apenas uma palavra, mas algo que todas as rosas compartilham de verdade.
No fim das contas, a grande ironia do nominalismo é que ele só se sustenta se a palavra "nominalismo" tiver algum significado universal que a diferencie de outras palavras, como "banana" ou "pneu furado". Se não, todo esse debate é apenas um barulho engraçado que fazemos na internet, sem substância alguma.
No mundo nominalista, o debate filosófico se resume a um grande coral dissonante, onde cada um canta uma canção diferente e finge que está em harmonia. E nós, que ainda acreditamos na existência real da ironia, do humor e da crítica, somos os últimos a tentar gritar em meio ao caos.
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