Da Usura à Mais Valia: Critica Marxista / Von Mises

 



Explore como a vais valia foi refutada pela Escola Austríaca de Economia, com Ludwig Von Mises e como a noção de valor subjetivo foi restaurada na Economia mas falhou no campo cultural em geral, no pensamento universitário padrão, na 'guerra cultural" , em todo o mundo mas especialmente no Brasil como observatório, nosso ponto de vista em nada privilegiado das cosmovisões de mundos em conflito.


A refutação da mais-valia pela Escola Austríaca representa um dos divisores de águas mais profundos entre a economia científica e a ideologia política. Enquanto Marx construiu um castelo sobre a areia da Teoria do Valor-Trabalho (TVT), os austríacos demoliram os alicerces desse castelo ao demonstrar que o valor não é uma propriedade intrínseca ao objeto, mas um julgamento da mente humana.

Para entender como essa restauração da lógica econômica falhou em vencer a "guerra cultural", especialmente no Brasil, precisamos analisar o choque entre a verdade praxeológica e a narrativa vitimista.

1. A Refutação: Mises e a Revolução Subjetivista

Ludwig von Mises, aprofundando os passos de Carl Menger e Eugen von Böhm-Bawerk, desferiu o golpe fatal na mais-valia através de dois pilares:

  • O Valor Subjetivo: O valor de um bem não é determinado pelo suor do trabalhador ou pelas horas gastas na fábrica. Se você gasta 100 horas cavando um buraco que ninguém quer, o valor desse "trabalho" é zero. O valor provém da utilidade que o consumidor atribui ao bem para satisfazer seus fins. Portanto, o lucro não é "trabalho não pago", mas a diferença entre a valoração subjetiva do produto final pelo consumidor e o custo dos fatores de produção.

  • A Preferência Temporal: Böhm-Bawerk e Mises explicaram que o lucro (ou juro) existe porque os seres humanos valorizam bens presentes mais do que bens futuros. O empresário paga ao trabalhador agora (salário), antes mesmo do produto ser vendido, assumindo o risco da incerteza. O lucro é o prêmio por essa espera e por esse risco. Sem o lucro, não haveria incentivo para a antecipação de renda ao trabalhador.

2. O Fracasso na Esfera Cultural e Universitária

Apesar da vitória lógica e empírica da Escola Austríaca, o conceito de mais-valia — transmutado no senso comum como "o lucro é pecado" — venceu a batalha das mentalidades. Por que a noção de valor subjetivo falhou no campo cultural?

  • A Estética da Exploração: A teoria de Marx é visceral e fácil de "vender" emocionalmente. Ela oferece um vilão (o burguês/patrão) e uma vítima (o proletário). A economia austríaca exige um esforço intelectual abstrato e foca na responsabilidade individual, o que é menos palatável para movimentos de massa que buscam uma causa externa para suas frustrações.

  • O Domínio Gramsciano: Na guerra cultural, o conceito de "hegemonia" de Antonio Gramsci explica como o marxismo penetrou nas superestruturas (escolas, mídia, igrejas). A universidade padrão não ensina Economia como ciência da ação humana (Praxeologia), mas como um capítulo da Sociologia do Conflito. O lucro é ensinado como um "excedente moralmente suspeito", mantendo viva a chama da usura luterana sob uma roupagem progressista.

3. O Brasil como Observatório da Deturpação

O Brasil é, talvez, o laboratório mais trágico dessa inversão de valores. Nosso ponto de vista não é privilegiado pela clareza, mas pela intensidade da contaminação:

  • Patrimonialismo e Inveja Social: A herança ibérica de desconfiança do comércio uniu-se perfeitamente ao marxismo acadêmico. No Brasil, o "sucesso" é visto como uma ofensa pessoal ou o resultado de uma maracutaia. A ideia de que alguém enriqueceu servindo ao próximo (gerando valor subjetivo) é quase inexistente no imaginário popular e acadêmico.

  • A Igreja e a Teologia da Libertação: No Brasil, a condenação da usura voltou ao seu berço religioso, mas "turbinada" por Marx. A Teologia da Libertação santificou a pobreza e demonizou a produção de riqueza, consolidando a visão de que a economia moral é uma economia de soma zero: para alguém ganhar, outro tem que perder.

  • Direito e Humanas: Nossas faculdades de Direito e Ciências Sociais operam sob o dogma de que o contrato de trabalho é uma "coação" e o lucro é uma "expropriação". Isso gera um ambiente de insegurança jurídica e ódio ao empreendedorismo, que é visto não como o motor da civilização, mas como o inimigo do Estado.

Conclusão: A Inversão de Valores Extrema

A deturpação final reside na negação da realidade: as ciências humanas abandonaram a busca pela verdade econômica para adotar uma moralidade de redistribuição. Ao ignorar a refutação de Mises, o pensamento acadêmico brasileiro e mundial escolheu o materialismo dialético como uma religião secular.

O resultado é a paralisia do discernimento. Quando o lucro é moralmente condenado, o que sobra é a gestão da miséria pelo Estado. A "mais-valia", embora morta na teoria econômica séria desde 1870, sobrevive como um fantasma ideológico que assombra as políticas públicas e o debate cultural, impedindo que a sociedade compreenda que a verdadeira moralidade econômica reside na livre cooperação e na criação de valor para o outro.

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