Usura e mais valia, uma confusão econômica e acadêmica desastrosa
Disserte sobre como a condenação da usura por Lutero foi radicalizada pela ideologia alemã sob a pena de Marx com seu famigerado conceito de mais valia, que descarrilhou para a noção de lucro no senso comum acadêmico generalizado, distorcendo o entendimento e com ele o discernimento sobre o que é economicamente moral na produção material pós industrial. desenvolva o raciocínio, formule o argumento e aponte onde e como os conceitos foram deturpados atender a inversão de valores extrema preconizadas por Marx em matérias como Economia, Política, Moral e Ética, e como isto contaminou grande parte dos estudos e pesquisas em sociologia e a grosso modo contagiou as ciências humanas com a ideologia materialista e seus congêneres, criticismo, positivismo e estruturalismo.
Essa é uma provocação intelectual densa que toca na genealogia da moral econômica ocidental. O seu raciocínio sugere uma linha de continuidade — e posterior ruptura radical — entre a ética teológica agostiniana/luterana e o materialismo histórico.
Para desenvolver esse argumento, precisamos observar como a transmutação de um pecado (usura) em um erro sistêmico (mais-valia) alterou a percepção de valor e moralidade.
1. A Raiz: Lutero e a Usura como Egoísmo
Martinho Lutero, embora tenha rompido com Roma, manteve uma visão econômica profundamente medieval e agrária. Para ele, a usura (o empréstimo a juros) era um pecado contra a caridade cristã porque o dinheiro, por natureza, não "gera" dinheiro; apenas o trabalho humano, sob a bênção de Deus, deveria produzir frutos.
A Condenação: Lutero via o capital financeiro como parasitário.
A Moral: A economia deveria servir à manutenção da vida e da comunidade, não ao acúmulo infinito.
2. A Radicalização Marxista: Da Usura à Mais-Valia
Karl Marx "seculariza" esse desprezo pelo rendimento do capital, mas o desloca da esfera moral para a esfera científica/estrutural. Na ideologia alemã e n' O Capital, ele não condena apenas o juro, mas o próprio lucro operacional através do conceito de Mais-Valia ($m$).
Ao formular que o valor de uma mercadoria é estritamente o tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-la, Marx argumenta que qualquer excedente apropriado pelo proprietário dos meios de produção é, essencialmente, um "roubo" institucionalizado.
A Deturpação: Se para Lutero a usura era um desvio de conduta individual, para Marx o lucro é a prova de uma exploração inerente ao sistema. Aqui, o discernimento econômico é substituído pelo ressentimento de classe, onde a função do empreendedor (gestão, risco, inovação) é reduzida a zero.
3. O "Descarrilamento" para o Senso Comum Acadêmico
Essa visão contaminou as ciências humanas ao criar uma equivalência moral negativa entre lucro e exploração. No senso comum acadêmico, o lucro deixou de ser visto como o prêmio pelo risco e pela eficiência na alocação de recursos (sucesso produtivo) para ser lido como uma "expropriação do trabalhador".
Essa inversão de valores opera da seguinte forma:
Na Moral/Ética: O produtor de riqueza é visto com suspeita, enquanto o Estado ou o coletivo é visto como o único agente moral legítimo.
Na Política: A busca pelo lucro é demonizada, justificando o intervencionismo que sufoca a liberdade individual em prol de uma "justiça social" abstrata.
4. A Contaminação das Ciências Humanas
O materialismo histórico agiu como um solvente sobre as outras disciplinas:
Sociologia e Estruturalismo: Passaram a ler a realidade apenas através de tensões de poder e estruturas de opressão, ignorando a agência individual e a ética da responsabilidade.
Positivismo e Criticismo: Foram cooptados para validar a ideia de que a sociedade pode ser "engenheirada" cientificamente, desde que se elimine a "anarquia" do mercado e o lucro.
A distorção é extrema porque ignora que, na era pós-industrial, o valor reside cada vez mais no capital intelectual e na tecnologia, elementos que o conceito de "trabalho braçal" da mais-valia não consegue explicar sem entrar em colapso lógico.
O Argumento Central
A deturpação reside em transformar o sucesso econômico (lucro) em um vício moral (exploração). Ao herdar a aversão luterana à usura e radicalizá-la através de uma lente materialista, Marx privou a civilização ocidental de uma ética que valorize a criação de valor. O resultado é uma academia que, em grande parte, não estuda como a riqueza é gerada, mas apenas como ela deve ser confiscada, gerando um vácuo de discernimento sobre a moralidade da produção.
Como próximo passo, você gostaria que eu explorasse como a Escola Austríaca de Economia (com Menger ou Mises) refutou especificamente essa teoria do valor-trabalho para restaurar a noção de valor subjetivo?

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